

Uma amostra de inscrição em um osso-oráculo - caracteres chineses eram escritos sobre ossos bovinos antes da invenção do papel.
A Origem dos Livros Chineses e Tipografia
Bibliófilos ocidentais devem ter ouvido a respeito dos tabletes de argila dos sumários, os rolos de papiro dos egípcios e os textos de pergaminho dos gregos, mas possivelmente não ouviram a respeito dos livros de bambu ou de seda dos chineses. Muitos ocidentais ficarão surpresos em saber que o povo chinês inventou tanto o papel quanto a tipografia e que Gutenberg e suas bíblias vieram depois no ponto de vista chinês.
Primeiro, os chineses escreviam em objetos naturais tais como pedras, casca de árvores, folhas, peles e ossos de animais, e até em cascos de tartaruga. Mas cada um desses objetos naturais tinha algumas desvantagens que dificultavam a função de registrar a linguagem escrita. No Período da Primavera e Outono (770 - 476 a.C.) e no Período dos Estados Belicosos (475-221 a.C.) o conhecimento espalhou-se pela China; muitos livros foram escritos; e várias escolas de pensamento competidoras foram fundadas. Para atender as necessidades dos tempos, os literatas chineses inventaram os fascículos de tiras e livros de seda.

Inscrições em tijolos.
Os fascículos de tiras eram livros feitos de tiras de bambu ou madeira. Os caracteres chineses eram escritos verticalmente de cima para baixo em um lado das tiras as quais então eram organizadas da direita para a esquerda e encadernadas com barbante. As tiras então podiam ser enroladas em um fascículo. A seda, diferentemente dos desajeitados fascículos de tiras, era um material bem melhor de se escrever. Os livros de seda eram macios, leves e portáteis, embora muito mais caros do que os fascículos de tiras. No final, nem os fascículos de tiras nem os livros de seda provaram ser materiais adequados para a difusão do conhecimento ou o desenvolvimento de livros a longo prazo. Ambos foram logo substituídos por livros de papel.
O papel para escrita foi inicialmente inventado por Tsai Lun, um oficial da dinastia Han Oriental (25 - 220 d.C). A utilização do papel para escrita está registrada nas histórias chinesas já no ano 105 d.C. Devido à flexibilidade e baixo custo do papel, ele logo tornou-se o material predominante utilizado na confecção de livros. Embora o papel resolvesse muitos problemas anteriormente encontrados na manufatura de livros, os escribas chineses ainda tinham que transcrever os livros trabalhosamente com as mãos. Tal processo consumia muito tempo e era inconveniente.

Enquanto a douração das bordas das páginas de livros é ocasionalmente usada nos dias de hoje, a pintura era a técnica preferida na antigüidade.

Para ler este livro a pessoa deverá desdobrar as páginas ao invés de virá-las.

A invenção da tipografia teve um efeito revolucionários sobre a civilização humana.
A busca de uma alternativa à transcrição levou à próxima inovação na história dos livros chineses: a tipografia. O povo chinês começou a usar as técnicas previamente utilizadas para entalhes em pedras ou monolitos para esculpir blocos tipográficos de madeira. A impressão de blocos, que possibilitava a produção maciça de livros, apareceu inicialmente nos primeiros anos da dinastia Tang (618 - 907 d.C), e durante a dinastia Sung (960 -1280 d.C.) havia transformado completamente a indústria publicadora da China.
Então, em alguma época entre 1041 d.C. e 1048 d.C, um artesão chinês chamado Pi Sheng inventou o tipo móvel como maneira de acelerar o processo de impressão e possibilitar melhores resultados artísticos.

Sem a invenção dos caracteres e do papel nao haveria livros.

“Uma pessoa sempre encontrará nos livros a beleza e os tesouros que deseja”, diz um provérbio chinês.
A subsequente invenção da impressão policromática no final da dinastia Yuan (1280 -1368 d.C.) representou um salto magnífico na técnica tipográfica. Após isso, os livros chineses tornaram-se mais atrativos visualmente do que nunca.
Mesmo com a invenção dos caracteres escritos, do papel e da tipografia, o livro chinês não seria o mesmo sem a distinta arte da encadernação chinesa. Naturalmente, a encadernação chinesa evoluiu muito desde a época em que fios de cânhamo eram usados para encadernar fascículos de tiras. Simplicidade, conveniência e praticidade eram acima de tudo as forças que moviam a evolução de variados estilos de encadernação chinesa: o estilo de rolo de pergaminho, o estilo sutra, o estilo borboleta, o estilo enrolado para trás e o estilo de fios ponteados. Enquanto a maioria dos livros na República da China atualmente sejam edições de brochuras ou capa dura encadernadas mecanicamente, algumas fotocópias de obras clássicas ainda são encadernadas no antigo estilo de fios ponteados, o que contribui para a sua atração nostálgica.
Atualmente, o processo gráfico na República da China, influenciado pela tecnologia da Europa e Estados Unidos, é completamente mecanizado. Não importa o quanto a tecnologia gráfica muda, ela ainda baseia-se nos princípios gráficos desenvolvidos na China durante milhares de anos: fazer papel, fixar os tipos e aplicar tinta ao papel.

Uma demonstração do processo de fabricação de papel com métodos tradicionais.

Registros históricos indicam que o papel apareceu na China já no ano 105 d.C.

Uma bandeja de tipos móveis.
Fonte: Escritório de Informação do Governo. Editor: Chao Yi
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Postado sob Cultura Tradicional Chinesa, Origem dos livros e Tipografia
Post escrito por institutomandarim em setembro 6, 2008
